A cantora Rosalía revelou em entrevista recente que tem adotado o chamado ‘volcelismo’, um termo que descreve o celibato voluntário. Segundo a artista, essa escolha tem sido fundamental para seu processo criativo, permitindo um maior contato com sua espiritualidade e, consequentemente, uma inspiração mais pura para sua música. O lançamento de seu mais novo álbum, ‘Lux’, já apresenta uma faceta de Rosalía mais voltada para o sagrado, com influências clássicas e uma abordagem lírica acentuada.
Durante uma conversa no podcast ‘Radio Noia’, da Radio Primavera Sound, Rosalía abordou o tema ao ser questionada sobre paixões platônicas. Ela declarou: “não dou mais espaço a paixões platônicas, essa fantasia, essa ilusão que não leva a lugar nenhum. Acabou”. Ao falar sobre seu atual estado civil e sexual, a artista afirmou de forma categórica: “Eu, neste momento, estou solteira, volcel”.
O termo ‘volcel’ é a contração de ‘voluntary celibate’, que em português significa celibato voluntário. Refere-se a indivíduos que optam conscientemente por abster-se de relações sexuais, diferenciando-se dos ‘incels’ (involuntary celibates), que se encontram em uma situação de abstinência sexual por falta de oportunidades, e não por desejo próprio.
Essa decisão de Rosalía ecoa declarações anteriores da cantora. Em agosto deste ano, em entrevista à revista Elle norte-americana, ela já havia expressado a necessidade de que a força motriz para sua criação musical proviesse de um lugar de pureza. “A força motriz que te leva a continuar fazendo música precisa vir de um lugar de pureza. Motivações como dinheiro, prazer, poder… não me parecem férteis. Nada que realmente me interesse sairá daí”, pontuou.
A escolha pelo celibato voluntário por Rosalía se alinha a um contexto social mais amplo, onde observa-se uma tendência entre os jovens, especialmente a Geração Z, de adiar a primeira relação sexual e diminuir a frequência da atividade sexual. Pesquisas recentes indicam essa mudança de comportamento.
Um estudo realizado em 2024 pelo Instituto Karolinska, da Suécia, em colaboração com a Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, revelou que 31% dos homens e 19% das mulheres, na faixa etária de 18 a 24 anos, não tiveram relações sexuais nos 12 meses anteriores à pesquisa. Isso significa que aproximadamente um em cada três jovens dessa faixa etária não se envolveu em atividade sexual durante um ano.
Outro relatório do Instituto Kinsey, também da Universidade de Indiana, com a participação de 1.500 adultos, indicou que 16,5% das mulheres se identificaram como sexualmente inativas e ‘solteiras por opção’. Entre os homens entrevistados, esse percentual foi de 9% para aqueles que se declararam adeptos do celibato voluntário.
Especialistas em sexualidade humana apontam que a diversidade de fontes de prazer disponíveis para os jovens pode ser um fator para a diminuição do interesse em relações sexuais. A psicóloga Michelle Sampaio observa que a agenda preenchida com atividades como viagens, estudos e lazer com amigos pode satisfazer a libido de outras formas. “Muitos jovens têm a agenda cheia, com viagens, estudos, diversão com os amigos e essas coisas divertidas também dão vazão para o libido”, explicou.
Adicionalmente, a profissional destaca que as mulheres, historicamente com menos liberdade para explorar sua sexualidade, agora se sentem mais empoderadas para conhecer seus corpos e praticar a masturbação. Esse cenário, segundo Sampaio, tem mitigado a pressão social em torno da perda da virgindade. “Eu percebo esses jovens mais apropriados da escolha desse momento de ter a primeira vez”, concluiu.

