Em meio a discussões sobre tendências sociais que ecoam o passado, surge um novo termo para descrever um comportamento crescente entre homens jovens: os ‘trad sons‘, ou ‘filhos tradicionais’. Inspirado, de certa forma, pelo movimento ‘tradwife’ que idealiza a figura da esposa dos anos 50, essa nova vertente foca na escolha de jovens homens em retornar à casa dos pais, muitas vezes abrindo mão da busca por autonomia financeira e profissional em prol de um ambiente doméstico seguro e prático.
A dinâmica observada é uma inversão de expectativas tradicionais. Se antes o objetivo principal da juventude era a independência, saindo da casa dos pais para construir a própria vida e carreira, a nova geração de ‘trad sons’, geralmente na faixa dos 20 a 30 anos, opta por residir com a família. Frequentemente, essa escolha envolve uma menor participação no mercado de trabalho em tempo integral ou contribuição financeira significativa para o lar, em troca de conforto, segurança e a delegação de responsabilidades domésticas para os pais.
O fenômeno tem gerado debates acalorados em plataformas como TikTok e Reddit. De um lado, defensores argumentam que essa escolha pode ser uma forma de desafiar normas de gênero rígidas, onde o homem era historicamente o único provedor. Por outro lado, críticos levantam preocupações sobre o potencial impacto negativo desse estilo de vida no desenvolvimento pessoal e na maturidade dos jovens adultos.
Estatísticas corroboram o aumento da coabitação entre jovens e pais. Uma análise de Rohan Shah, professor de economia da Universidade do Mississippi, aponta que cerca de 1,5 milhão de adultos com menos de 35 anos a mais vivem com seus pais atualmente do que há uma década, representando um crescimento de 6,3%.
A terapeuta familiar Kathryn Smerling, em entrevista ao New York Post, desvincula essa tendência de uma criação excessivamente apegada. Ela sugere que a dependência dos pais pode ser um reflexo de um cenário social complexo, marcado por instabilidade no mercado de trabalho, inflação e uma crise imobiliária persistente. “Há muita inquietação entre os homens na faixa dos 20 e 30 anos hoje em dia. Há muita insegurança e instabilidade. A maioria dos jovens ainda não se encontrou de verdade. Para alguns, estar em casa é reconfortante. Eles se sentem seguros e protegidos com os pais em um mundo tão conflituoso”, explicou Smerling.
A ‘Crise dos Homens Jovens’
Especialistas como Scott Galloway, da Universidade de Nova York, diagnosticam uma ‘crise dos homens jovens’, evidenciada por dados preocupantes nos Estados Unidos. Galloway destaca em entrevista à BBC que homens jovens apresentam maior probabilidade de suicídio, dependência química, prisão e níveis recordes de depressão.
Enquanto as mulheres têm avançado em suas carreiras, buscando maior independência financeira e desenvolvendo novas formas de lidar com a solidão, como o fortalecimento de amizades, os homens, segundo Galloway, enfrentam maiores dificuldades em diversas esferas da vida. “Estamos diante de uma geração de homens jovens inviáveis econômica e emocionalmente”, sentencia o especialista, que também atua como consultor político.

