Ao contrário do senso comum que aponta a Geração Z como avessa às estruturas tradicionais de emprego, uma pesquisa recente conduzida pela Demà e Nexus indica um cenário distinto. Os jovens dessa faixa etária demonstram um anseio significativo por segurança e estabilidade no mercado de trabalho, preferindo ativamente posições com carteira assinada.
Os dados revelam que uma expressiva maioria, 69% dos entrevistados, almeja um emprego formal, visto como um pilar de segurança e garantia de direitos trabalhistas. Em contrapartida, 29% expressam desejo por modalidades de trabalho informal, caracterizadas pela ausência de rotina. Uma pequena parcela, 2%, não apresentou resposta definida.
No que tange aos modelos de trabalho, a pesquisa aponta o formato híbrido como o mais desejado pela Geração Z, com 48% dos jovens optando por uma combinação de dias no escritório e home office. O trabalho presencial integral é a escolha de 39%, enquanto o modelo totalmente remoto atrai apenas 11%.
Juan Carlos Moreno, diretor da Demà, comentou sobre a dualidade que caracteriza a ‘geração digital’. Segundo ele, os jovens atuais se mostram pragmáticos, integrando ferramentas como a inteligência artificial para otimizar a produtividade, sem, contudo, abrir mão da segurança de um emprego formal e da importância da interação humana. “É uma geração que busca o equilíbrio entre o tecnológico e o tradicional, selecionando o melhor de cada mundo para construir seu futuro”, analisou.
A pesquisa ouviu 2.016 cidadãos com idades entre 14 e 29 anos em todas as 27 Unidades da Federação, entre os dias 14 e 20 de julho.
É fundamental analisar os dados sobre gerações com cautela. Estereótipos frequentemente circulam, alguns de forma jocosa, mas outros podem perpetuar preconceitos e visões limitadas sobre grupos específicos. No caso da Geração Z, a relação com o mercado de trabalho é frequentemente objeto de debate, com alegações de dificuldade em se adaptar a funções profissionais.
Especialistas ressaltam a necessidade de ir além de análises superficiais. Thaís Giuliani, doutora especialista em Geração Z, critica visões que simplificam a complexidade desse grupo, defendendo que “é preciso mergulhar um pouco mais profundo e tentar entender como as novas gerações funcionam, e, assim, pararem de contribuir para a manutenção de alguns estereótipos”.
A percepção de que jovens não valorizam a carreira também é rebatida. Dominique Molina, integrante da Galera CAPRICHO, afirma que para ela “trabalho significa esforço” e que a carreira tem um peso e importância enormes para a juventude que busca uma vida confortável. Essa perspectiva desmistifica a ideia de que a nova geração não se dedica ao desenvolvimento profissional.
Embora seja verdade que muitos jovens apresentem críticas ao modelo CLT, a ascensão de carreiras digitais e a percepção de que diplomas tradicionais podem ter um retorno financeiro menor não implicam em aversão ao trabalho formal. Essas críticas devem ser ponderadas em conjunto com a busca por estabilidade demonstrada em pesquisas recentes.
Ao analisar levantamentos sobre o tema, é essencial rever estereótipos e quebrar preconceitos para enriquecer o debate sobre as aspirações da Geração Z no mundo do trabalho.

