Em resposta à recente onda de feminicídios que abalou o país, milhares de mulheres e meninas tomaram as ruas em manifestações clamando pelo fim da violência de gênero. Os dados recentes são alarmantes: em 2025, o Brasil já ultrapassou a marca de 1.180 feminicídios, um recorde histórico desde a implementação da Lei do Feminicídio em 2015. Diante deste cenário, aprofundar o debate sobre agressões, desigualdade e os desafios diários enfrentados pelas mulheres torna-se fundamental. A leitura emerge como uma ferramenta poderosa para essa reflexão. Apresentamos a seguir cinco obras que oferecem perspectivas valiosas sobre o tema.
1. Precisamos falar de consentimento: Uma conversa descomplicada sobre violência sexual além do sim e do não. Escrito por Arielle Sagrillo Scarpati, Beatriz Accioly Lins e Silvia Chakian, este livro desmistifica o conceito de consentimento. Aborda a violência sexual com profundidade, integrando conhecimentos da psicologia, do direito e da literatura especializada, e utiliza exemplos práticos e situações cotidianas para facilitar a compreensão. A obra propõe uma discussão acessível sobre o tema, ideal para conversas em família, na escola ou entre amigos.
2. As Estruturas elementares da violência. A antropóloga Rita Segato, em sua obra, transcende as análises superficiais que atribuem a violência a desvios individuais. Segato explora a lógica da violência de gênero como um componente intrínseco das estruturas de poder social. Ela propõe a compreensão do estupro como um ‘mandato’, um mecanismo patriarcal que reforça o controle sobre os corpos femininos.
3. Sobrevivi… Posso Contar. Este livro traz a história de Maria da Penha, cuja luta transcende o seu caso pessoal, tornando-se um marco na defesa dos direitos das mulheres e no combate à impunidade em casos de violência doméstica e familiar no Brasil.
4. Agressão: A escalada da violência doméstica no Brasil. A jornalista Ana Paula Araújo investiga as raízes da violência doméstica no país. Por meio de depoimentos de vítimas, agressores, familiares e profissionais da saúde e do judiciário, a obra busca responder por que, mesmo com leis avançadas, o Brasil figura entre os países com altos índices de violência doméstica e feminicídio, e por que muitas vítimas hesitam em denunciar.
5. A vida nunca mais será a mesma: Cultura da violência e estupro no Brasil. Adriana Negreiros compartilha sua experiência pessoal para discutir a cultura da violência e do estupro no Brasil, um dos países com as maiores taxas de feminicídio do mundo. A autora destaca que a agressão contra a mulher não se restringe ao espaço público, mas também pode ocorrer em ambientes domésticos opressores, muitas vezes fora do alcance direto do Estado.

