Após o sucesso estrondoso do projeto Irmãs de Pau e com um hit de carnaval como SEQUÊNCIA CUNT ecoando em pistas LGBTQIA+, redes sociais e até mesmo em ambientes heterossexuais, Isma Almeida lança seu aguardado primeiro álbum solo, MADE IN COHAB. O trabalho, com 12 faixas, celebra origens, linguagens, autoafirmação e o orgulho de ser quem se é.
A artista, criada em Itapevi, na região metropolitana de São Paulo, escolheu o dia 29 de janeiro, data que marca o Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais, para apresentar suas experimentações sonoras. MADE IN COHAB transita com maestria entre o funk, o afrobeat e o hip-hop, demonstrando a versatilidade e a força da sua identidade.
Para quem não acompanha de perto o cenário musical underground, o nome de Isma Almeida pode ter passado despercebido. No entanto, ao lado de sua parceira de dupla, Vita Pereira, no projeto Irmãs de Pau, Isma se consolidou como uma voz proeminente nas playlists de baladas LGBTQIA+ do Brasil. As canções autorais do duo trazem travestis ao microfone e à autoria, compartilhando desejos, vivências e afirmando seus corpos como potência política.
O som característico do mandelão, uma vertente do funk com batidas intensas e repetitivas, embalou a juventude pós-pandêmica, com frases como “nós é cria de quebrada, nem adianta forgar” se tornando hinos em festas e pistas. Antes da carreira solo, Isma e Vita colaboraram com nomes de peso como Pabllo Vittar, Duquesa, Ebony, Clementaum, Pedro Sampaio e Sevdaliza, ampliando o alcance de suas narrativas.
MADE IN COHAB chega recheado de participações de mulheres periféricas que vêm conquistando seu espaço na música brasileira. As gêmeas Tasha & Tracie marcam presença na faixa-título, reforçando a vivência da periferia paulistana. Katy da Voz e as Abusadas contribuem para BIPOLAR, resgatando o passado religioso da artista, enquanto Monna Brutal entrega um freestyle impactante em PESQUISA MEU NOME NO GOOGLE.
O álbum dá continuidade à exploração da estética periférica na obra de Isma, ao mesmo tempo em que permite à artista mergulhar em sua essência, personalidade e na dimensão política de ser a dona de sua própria história. A faixa de abertura, INTRO (ME DESCULPA BEYONCÉ), já anuncia as referências pop e os desejos de carreira em uma sonoridade que promete dominar as pistas de ballroom. Os primeiros singles, A SUBSTÂNCIA e SOCIALISMO DA PUTARIA, introduzem o mandelão e celebram a liberdade sexual, rompendo barreiras de classe e identidade de gênero.
Faixas como PARE DE USAR, com sua declaração de independência afetiva, e a própria MADE IN COHAB, que exalta as vivências periféricas, solidificam a coesão sonora do disco, mesmo diante da diversidade de estilos. BUFALOBIU flerta com o rap, citando Anitta e Cardi B, e PESQUISA MEU NOME NO GOOGLE faz alusões ao Novo Testamento de AJULIACOSTA e sampleia Formation, de Beyoncé.
INVEJOSA, em parceria com MC Soffia, tem potencial de hit e marca um momento de afirmação da identidade de gênero. CARRO DO ANO explora sonoridades do trap. As faixas finais remetem à energia dos bailes funk e aos trabalhos anteriores das Irmãs de Pau. BIPOLAR utiliza um meme viral do TikTok para revisitar questões religiosas e sexuais, e AFROBONECA encerra o álbum com uma energia contagiante, ideal para pistas de dança.
Ao transitar por diferentes gêneros musicais e convidar o ouvinte para conhecer sua “Cohab”, Isma Almeida demonstra uma trajetória musical segura e autêntica. O disco reforça a importância de abraçar a própria história e dialoga com o legado de artistas como Jup do Bairro e Linn da Quebrada, que ecoam em toda a obra.
![]()
