A cantora e compositora Annick Nicoli apresenta nesta quinta-feira (6) o videoclipe da música “Verão”. A produção audiovisual foi realizada em uma performance especial com o Coral da Câmara LGBT+ do Brasil, nas imponentes escadarias do Teatro Municipal de São Paulo. A gravação, que ocorreu em dezembro passado, transformou um dos mais icônicos marcos culturais da cidade em palco para uma poderosa declaração sobre amor, pertencimento e a celebração da identidade.
A canção, que já está disponível em todas as plataformas de streaming, é fruto de um aprofundado processo de autoconhecimento da artista. A produção musical leva a assinatura de Jonny Maia, renomado produtor musical com quatro troféus Grammy Latino em seu currículo e 16 indicações. “Verão” narra um romance marcado pela descoberta da sexualidade e pelos dilemas impostos pela pressão social, uma temática que, segundo Annick, ecoa experiências comuns dentro da comunidade LGBTQIAPN+.
“A música fala sobre um amor onde uma pessoa está plenamente receptiva à sua própria sexualidade, enquanto a outra ainda enfrenta barreiras internas. Eles compartilharam um verão intenso, mas uma delas precisou retornar a uma realidade onde ainda não se sentia pronta para assumir quem realmente era. É uma história de amor genuína, mas com a complexidade de não ser totalmente correspondida, pois apenas um dos lados estava preparado para viver essa verdade”, explicou Annick.
A artista ressaltou que a conexão emocional com a temática foi crucial para o envolvimento do coral no projeto. “Dentro da comunidade LGBTQIAPN+, narrativas como essa são recorrentes. São amores que desafiam limites, mas que, por vezes, não encontram um caminho a seguir devido à pressão social e ao preconceito”, comentou.
O objetivo do projeto transcende a esfera musical, buscando dar visibilidade à causa dos direitos LGBTQIAPN+. “Nossa meta principal é usar a arte como um veículo de expressão, conscientização e união em prol dessa causa”, declarou Annick.
A concepção do projeto se consolidou após um diálogo entre Annick e o maestro Ettore Veríssimo, idealizador do Coral da Câmara LGBT+ do Brasil. Juntos, conceberam a ideia artística da performance e elegeram a escadaria do Teatro Municipal como cenário ideal. Ao se depararem com a música, os integrantes do coral se identificaram profundamente com a mensagem, optando por emprestar suas vozes à obra, intensificando seu impacto emocional.
A gravação, realizada em um dos cartões-postais mais emblemáticos de São Paulo, atraiu a atenção de inúmeros transeuntes, tanto locais quanto turistas, reforçando o caráter simbólico da produção: a ocupação de espaços históricos com narrativas diversas e representativas.
Complementando a experiência musical, o projeto oferece acesso a uma plataforma digital que compila links de ONGs dedicadas à causa LGBTQIAPN+, ampliando o alcance social da iniciativa.
Annick Nicoli tem construído uma carreira marcada pela abordagem de temas sociais e contemporâneos em suas músicas. Em trabalhos anteriores, como “Cheia de Graça, né”, ela discute o assédio e a hipersexualização da mulher brasileira, e em “Flower Girl”, reflete sobre o processo de crescimento feminino. Com canções em português e inglês, a artista já expandiu sua atuação internacionalmente, com apresentações em Los Angeles e suas músicas tocando em rádios no Brasil e em Portugal.
O Coral da Câmara LGBT+ do Brasil, fundado por Ettore Veríssimo em colaboração com a Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, é um grupo pioneiro no país, reconhecido internacionalmente como membro da Gala Choruses. O coral proporciona um ambiente seguro para a expressão artística e o acolhimento, com um repertório voltado à valorização da diversidade e ao combate ao preconceito. Entre seus projetos, destacam-se apresentações temáticas como “Esperançar – Um Convite à Diversidade” e participações em eventos de relevância cultural, incluindo o Miss Brasil Trans, sediado no próprio Teatro Municipal.
Mais do que um simples lançamento musical, o videoclipe de “Verão” representa a convergência de trajetórias e vozes que reafirmam o poder da arte como agente de transformação social e de visibilidade coletiva.
