No universo das séries e filmes, é comum criarmos laços com determinados personagens. Começamos a acompanhar suas jornadas com entusiasmo, torcendo por seus sucessos e celebrando suas vitórias. No entanto, o tempo e as reviravoltas do roteiro podem transformar esses ídolos em fontes de frustração, gerando o que o público define como “ranço”. Essa mudança de percepção, muitas vezes motivada por decisões narrativas questionáveis ou pela saturação de certas personalidades, faz com que figuras antes amadas se tornem motivo de desaprovação.
Selecionamos cinco personagens que vivenciaram essa trajetória, migrando do status de favoritos para o de figuras que provocam reviradas de olhos. Prepare-se para relembrar essas transformações e verificar se algum de seus antigos protagonistas prediletos está nesta lista.
Eleven (Stranger Things)
A misteriosa garota com poderes telecinéticos, que cativou o público em sua estreia em Stranger Things, conquistou corações com sua doçura e a luta contra o Demogorgon. Sua vulnerabilidade e fascínio pelo universo ao seu redor a tornaram uma figura central e adorada.
O Declínio da Popularidade
Com o avanço das temporadas, especialmente a quarta, e com a série se aproximando de seu desfecho, a jornada de Eleven passou a ser vista por parte da audiência como repetitiva. O ciclo de perder e recuperar seus poderes, somado a uma caracterização que focava excessivamente em sofrimento e gritos, levou a uma percepção de estagnação. Críticas frequentes apontam que personagens secundários, como Max e Dustin, ganharam arcos mais interessantes, ofuscando a protagonista e gerando um sentimento de exaustão narrativa em relação a ela.
Izzie Stevens (Grey’s Anatomy)
Em Grey’s Anatomy, Izzie Stevens foi inicialmente apresentada como a personificação da empatia e da doçura. Sua humanidade e as complexidades de sua vida pessoal, incluindo o marcante relacionamento com Denny Duquette, a solidificaram como uma das personagens mais queridas do início da série.
As Escolhas que Levaram ao Desgosto
O afastamento do público em relação a Izzie foi gradual, impulsionado por uma série de decisões narrativas que desagradaram. Envolvimento em triângulos amorosos controversos, como o com George, e atitudes que beiravam o egoísmo e a impulsividade, começaram a minar sua imagem. O ponto de virada para muitos fãs, no entanto, foi sua partida abrupta, abandonando Alex Karev em meio a dívidas hospitalares, o que a transformou, aos olhos de quem torcia pelo casal, em uma antagonista.
Archie Andrews (Riverdale)
No início de Riverdale, Archie Andrews personificava o arquétipo do bom moço: atlético, musical e carismático. Ele era o centro das atenções, com dilemas amorosos envolvendo Betty e Veronica, e projetado como o herói clássico da trama.
A Queda do Herói
À medida que Riverdale mergulhava em tramas cada vez mais excêntricas, com elementos sobrenaturais e universos paralelos, Archie manteve uma postura de herói salvador que se tornou cansativa para o público. Suas decisões frequentemente questionáveis, envolvimento com atividades ilícitas e a tentativa de resolver tudo através de confrontos físicos, enquanto proferia discursos motivacionais, geraram frustração. Personagens como Cheryl e Jughead passaram a capturar mais o interesse do fandom, relegando Archie a uma posição de pouca admiração.
Rory Gilmore (Gilmore Girls)
Em Gilmore Girls, Rory Gilmore era o modelo de adolescente ideal: inteligente, dedicada aos estudos e com uma relação ímpar com sua mãe. Sua trajetória em Stars Hollow a consolidou como a “menina de ouro”, inspirando muitos espectadores.
O Pesadelo do Revival
A insatisfação com Rory começou a se manifestar ainda na faculdade, com o envolvimento em um relacionamento extraconjugal. Contudo, foi no revival “Um Ano para Recordar” que a personagem consolidou sua imagem negativa para muitos. A Rory adulta foi retratada como mimada, infiel e com uma notória síndrome de superioridade. A incapacidade de manter um emprego estável e o tratamento dispensado ao seu namorado, Paul, foram exemplos de comportamentos que levaram o público a considerá-la uma figura sem noção, distanciando-se da admiração inicial.
Daenerys Targaryen (Game of Thrones)
Ao longo de sete temporadas de Game of Thrones, Daenerys Targaryen foi uma figura inspiradora. Conhecida como “A Não-Queimada” e “Mãe dos Dragões”, sua luta contra a opressão e sua ascensão ao poder geraram grande torcida e identificação por parte do público.
O Fim Traumático
O desfecho de Game of Thrones foi um divisor de águas para a percepção de Daenerys. Em um curto período, a personagem transitou para a “Rainha Louca”, culminando na destruição de uma cidade repleta de inocentes. A insatisfação não residiu apenas na sua vilania, mas na abrupta e, para muitos, mal justificada mudança de personalidade. A internet se dividiu entre a compaixão pela jornada da personagem e o puro desgosto por suas ações tirânicas, vistas como repentinas e incoerentes com seu desenvolvimento anterior.
O Que Causa o “Ranço” em Personagens?
Frequentemente, a responsabilidade por essa inversão de sentimentos recai sobre o roteiro, e não sobre a atuação. Existem fatores recorrentes que levam o público a desenvolver aversão a personagens:
- Falta de Evolução: Personagens que repetem os mesmos erros indefinidamente, sem apresentar aprendizado ou crescimento.
- Complexo de Protagonista: Aqueles que demonstram uma visão egocêntrica, onde o mundo parece girar em torno de seus problemas, negligenciando a complexidade de outros arcos.
- Mudança Brusca de Personalidade: Transformações drásticas e sem a devida construção narrativa, que contradizem a essência inicial do personagem.
Superar o “ranço” por um personagem, especialmente em séries ainda em exibição, pode ser um desafio. Nesses casos, muitos espectadores optam por focar nas qualidades de personagens secundários, ignorando aqueles que se tornaram dispensáveis ou irritantes.

