A MultiCOP, conferência virtual que ocorreu em paralelo à COP30, concluiu suas atividades com um chamado à ação global. Liderada por anciãos Guarani e Kaiowá, a iniciativa utilizou o metaverso como palco para diálogos e reflexões sobre a crise climática, propondo a realização de uma nova cúpula focada na sabedoria ancestral.
Entre os dias 10 e 21 de novembro, mais de seis eventos foram realizados em formato digital, transmitidos pela plataforma COP30 Maloca. O metaverso foi reconhecido pelos líderes indígenas como um espaço valioso para a educação, o intercâmbio de conhecimentos e a conexão social, funcionando como uma extensão de seus territórios sagrados, como o Oga Pysy virtual.
Nhanderu Tadeu e Nhandesy Fausta, anciãos Guarani e Kaiowá, transmitiram ao vivo de seu território em Nhanderu Marangatu para o metaverso oficial da COP30. Eles assumiram a liderança do espaço virtual, conduzindo rituais e alinhando as atividades aos seus princípios cosmológicos. A representação de sua casa cerimonial em realidade virtual foi um marco para a comunidade.
Os representantes das comunidades Guarani e Kaiowá expressaram a necessidade de um diálogo global entre anciãos indígenas e líderes espirituais de todo o mundo. O objetivo é compartilhar estratégias para negociações climáticas eficazes e para a restauração do equilíbrio planetário. A comunidade questionou a efetividade das discussões climáticas atuais, sugerindo que um novo fórum, que inclua a perspectiva espiritual, pode ser necessário.
Em seu pronunciamento final, os anciãos declararam que as discussões na cúpula climática das Nações Unidas têm tido pouco impacto. Eles ressaltaram que ações climáticas significativas demandam diálogo e negociação genuínos. A proposta de que práticas rituais indígenas constituem ação climática eficaz desafia as abordagens tradicionais ocidentais sobre especialização e autoridade nos debates sobre o clima.
Durante a MultiCOP, foram abordados temas diversos, como inteligência artificial, monitoramento da biodiversidade e acesso à cultura. A tecnologia foi explorada como ferramenta transformadora em debates como:
- COP Hip-Hop: Workshops e painéis com artistas de rap indígena, incluindo Brô MCs, e o músico britânico Danny Ladwa.
- IA, Monitoramento da Biodiversidade e Conhecimento Indígena: Diálogos entre pesquisadores e parceiros indígenas para integrar conhecimento tradicional em sistemas de IA.
- Pulse of Unity: Exploração do futuro da música eletrônica diante das mudanças climáticas, com DJs e produtores indígenas.
- Where Do We Go From Here?: Residência colaborativa da UCL MAL para reimaginar o Oga Pysy virtual como um ambiente interativo.
- Descolonizando o Museu de Zoologia: Um ritual de canto sagrado realizado por anciãos Guarani e Kaiowá no Museu Grant de Zoologia da UCL.
- Manifestos para o futuro: Reflexões sobre a COP30 e o futuro dos debates climáticos, com a participação do pesquisador da UCL Jerome Lewis e do comitê de coordenação da MultiCOP.
A MultiCOP, reconhecida como evento paralelo oficial da COP30, buscou garantir a participação de povos indígenas, comunidades, detentores de conhecimento tradicional, pesquisadores e artistas na convocação global por ação climática, visando a construção coletiva de futuros planetários diversificados.

