Em um cenário social em constante mutação, emerge um novo grupo que desafia as expectativas tradicionais de independência masculina. Após a ascensão do movimento ‘tradwife’, que idealiza a figura da mulher dedicada ao lar e à família nos moldes do século passado, agora ganha destaque o conceito de ‘trad sons’. Este termo descreve jovens adultos, majoritariamente entre 20 e 30 anos, que optam por retornar ou permanecer na casa dos pais, muitas vezes sem uma carreira consolidada ou contribuição financeira integral, em troca de um ambiente de conforto e praticidade.
A popularidade dessa tendência, especialmente em plataformas como TikTok e Reddit, reflete uma parcela da juventude que se distancia do ideal de autonomia financeira e independência precoce. Enquanto alguns veem nos ‘trad sons’ um questionamento positivo das normas de gênero historicamente impostas – onde o homem era o principal provedor –, outros expressam preocupação com o potencial impacto no desenvolvimento pessoal e na maturidade desses indivíduos.
Dados recentes corroboram o aumento de jovens adultos vivendo com seus pais. Uma análise de Rohan Shah, professor de economia da Universidade do Mississippi, aponta que cerca de 1,5 milhão de adultos com menos de 35 anos vivem com os pais atualmente, um acréscimo de 6,3% em relação à década anterior.
Terapeutas familiares, como Kathryn Smerling, interpretam o fenômeno ‘trad son’ não como um reflexo de uma criação excessivamente protetora, mas sim como uma resposta a um contexto social complexo. Segundo ela, a instabilidade do mercado de trabalho, a inflação persistente e a crise imobiliária contribuem para um sentimento de insegurança e incerteza entre os jovens. “Há muita inquietação entre os homens na faixa dos 20 e 30 anos hoje em dia. Há muita insegurança e instabilidade. A maioria dos jovens ainda não se encontrou de verdade. Para alguns, estar em casa é reconfortante. Eles se sentem seguros e protegidos com os pais em um mundo tão conflituoso”, explicou.
O sociólogo Scott Galloway, da Universidade de Nova York, cunhou o termo ‘crise dos homens jovens’ para descrever um conjunto de desafios enfrentados por essa demografia. Ele aponta estatísticas alarmantes nos Estados Unidos: jovens homens têm probabilidade significativamente maior de desenvolver dependência química, enfrentar problemas com a justiça e sofrer de depressão, além de taxas de suicídio mais elevadas em comparação com outras gerações. Enquanto as mulheres têm avançado em suas carreiras e buscado novas formas de lidar com a solidão, Galloway observa que muitos homens jovens enfrentam dificuldades em diversas esferas da vida, descrevendo-os como “uma geração de homens jovens inviáveis econômica e emocionalmente”.

