A cerimônia do Oscar 2026 se aproxima, e além das atenções voltadas para as grandes atuações e obras cinematográficas, a categoria de Melhor Cabelo e Maquiagem tem se destacado por trabalhos que transcendem a simples caracterização, elevando-se a verdadeiras obras de arte. A arte da transformação, que dá vida a personagens e transporta o público para universos distintos, é o foco deste ano, com filmes que exploram desde criações fantásticas até realismos históricos e grotescos.
Um dos grandes destaques na disputa é Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro. A concepção da criatura, interpretada por Jacob Elordi, é fruto do trabalho minucioso de Mike Hill, renomado artista de próteses. O desafio, segundo relatos, foi reinventar uma figura icônica, fugindo do estereótipo de monstro para apresentar uma aparência que remete a uma criação artesanal, feita à mão por um ser humano. A produção da Netflix divulgou material de bastidores que evidencia a complexidade do processo.
Diretamente do Japão, Kokuho – O Preço da Perfeição, de Lee Sang-il, traz para a disputa a rica tradição do teatro kabuki e sua marcante maquiagem kumadori. Essa forma de arte cênica utiliza pinturas faciais elaboradas, que podem evocar máscaras e transmitir a essência dos personagens através de cores e traços. A Embaixada do Japão no Brasil explica que tons como o vermelho simbolizam virtude e paixão, enquanto o azul representa traços negativos como inveja e medo, elementos cruciais na construção visual dos personagens.
O gênero de terror também figura com força na categoria. Pecadores, sob a direção de Ryan Coogler, mergulha na segregação racial dos Estados Unidos na década de 1930, ao mesmo tempo em que introduz elementos sobrenaturais. O departamento de beleza precisou equilibrar a ambientação histórica com a estética vampírica. O maquiador de próteses Mike Fontaine tem sido apontado como um forte concorrente, com seu trabalho realista em simular ferimentos, queimaduras e sangue, conferindo uma autenticidade impactante às cenas.
The Smashing Machine, de Ben Safdie, apresenta um processo de transformação física que exigiu dedicação intensa. Dwayne Johnson, intérprete do lutador de MMA Mark Kerr, passava cerca de quatro horas diárias na cadeira de maquiagem. O ator descreveu a experiência como um mergulho profundo na persona de Kerr, permitindo-lhe sentir a forma como o atleta lidava com seus desafios. O filme aborda a trajetória de Kerr nos anos 90 e 2000, incluindo sua luta contra o vício em analgésicos e os efeitos da fama.
Fechando a lista de destaques, o terror The Ugly Stepsister, de Emilie Blichfeldt, oferece uma visão sombria e visceral do conto de Cinderela, explorando o body horror. Ambientado no século XIX, o filme, além de retratar a moda da época em seus penteados, apresenta uma transformação grotesca da personagem Elvira (Lea Myren). A maquiadora Anne Cathrine Sauerberg e o designer de próteses Thomas Foldberg foram responsáveis por criar efeitos chocantes, como um transplante de cílios e a representação de automutilação, que desafiam os padrões de beleza e rendem ao filme uma forte candidatura ao Oscar.

