O lendário vocalista Paul Rodgers, figura proeminente no cenário do rock com passagens por bandas icônicas como Free e Bad Company, concedeu uma entrevista exclusiva à Rolling Stone Brasil. Em um papo abrangente, Rodgers compartilhou suas impressões sobre o recém-lançado álbum-tributo ao Bad Company, a recente indução do grupo ao Rock and Roll Hall of Fame, sua jornada de superação de problemas de saúde e os planos para o futuro, incluindo uma autobiografia e um documentário.
O álbum Can’t Get Enough: A Tribute to Bad Company celebra o legado do supergrupo, reunindo artistas de diferentes gerações. Nomes como Slash, Joe Elliott e Phil Collen (do Def Leppard), além de The Pretty Reckless, Halestorm e outros, reinterpretam clássicos do quarteto formado por Rodgers, Simon Kirke, Mick Ralphs e Boz Burrell. O disco, disponível em plataformas digitais e em CD pela Hellion Records no Brasil, marca um passo na valorização do catálogo de Rodgers, que teve parte de seus direitos adquiridos pela Primary Wave Music.
Rodgers, que não esteve diretamente envolvido na seleção de artistas e repertório, participou de três faixas: “Shooting Star” (com Halestorm), “Run with the Pack” (com Blackberry Smoke e Brann Dailor) e “Seagull” (com Elliott, Collen e Kirke). Ele elogiou a performance de Lzzy Hale (Halestorm) em “Shooting Star”, destacando a potência vocal e a colaboração no processo de gravação. A releitura de “Run with the Pack” foi saudada pela sonoridade southern rock, enquanto “Seagull” reuniu virtualmente amigos de longa data.
O cantor também comentou sobre a versão de Charley Crockett para a faixa-título “Bad Company”, que se tornou a mais ouvida no Spotify. Rodgers expressou surpresa e admiração pelo arranjo country, que ele considera alinhado com a essência de algumas composições do Bad Company. Ele lamentou a ausência de “Simple Man” e “Can’t Get Enough” no álbum, considerando-as adições de grande impacto.
Indução ao Hall da Fama e Recuperação
A entrada do Bad Company no Rock and Roll Hall of Fame, ocorrida em novembro, foi um momento significativo, embora Paul Rodgers não tenha comparecido à cerimônia devido a questões de saúde. O vocalista, que completará 76 anos, revelou ter sofrido três AVCs na última década. Ele explicou que, às vésperas da viagem para a cerimônia, sua pressão arterial elevou-se perigosamente, com dores no peito e palpitações, levando seu médico a proibi-lo de viajar. Rodgers expressou alívio por ter seguido a recomendação médica, descrevendo sua atual fase como “zen” e focada em uma vida pacífica.
Apesar da ausência física, Rodgers acompanhou a cerimônia pela televisão e se emocionou com o discurso de Simon Kirke e com as performances dos músicos convidados, como Chris Robinson, Nancy Wilson e Joe Perry. Ele também mencionou a honra de ter seu discurso de indução exibido nos telões, algo incomum por parte da instituição.
Saúde e Perspectivas Futuras
Rodgers detalhou os desafios de saúde que enfrentou, incluindo um problema cardíaco em 2016 e os AVCs. Ele descreveu a dificuldade em recuperar a fala e a compreensão após o segundo derrame, chegando a não reconhecer uma guitarra. No entanto, o cantor assegura que sua saúde está em bom estado atualmente, permitindo-lhe desfrutar de atividades como longas caminhadas e apreciar cada dia como uma bênção.
O futuro promete ser produtivo. Rodgers está finalizando uma autobiografia com o escritor Chris Epting, com lançamento previsto para 2026, seguido por um documentário. Ele relata ter sido convencido a escrever suas memórias, percebendo a singularidade de sua trajetória e a sorte de ter colaborado com músicos renomados como Jimmy Page, Paul Kossoff, Brian May e Jeff Beck. O objetivo é compartilhar sua história para inspirar não apenas músicos, mas também o público em geral.
A manutenção do legado musical é uma prioridade, influenciada pela experiência com o Queen e seu empresário, Jim Beach. Rodgers planeja retornar aos palcos com uma breve participação no Sound and Vision Awards em março, onde será homenageado e cantará em dueto com Deborah Bonham. Além disso, ele gravou recentemente com Joe Bonamassa e Matt Sorum, e continua compondo e gravando novas músicas.
Memórias de Mick Ralphs
Paul Rodgers também prestou uma comovente homenagem a Mick Ralphs, guitarrista do Bad Company, falecido em junho. Ele compartilhou a alegria de Ralphs com a notícia da indução ao Hall da Fama e o bom humor do músico diante da honraria. Rodgers descreveu a admiração de Ralphs pelas interpretações no álbum tributo e relembrou os últimos anos de vida do guitarrista, marcados por sérias limitações físicas decorrentes de um AVC. Ele narrou os esforços para garantir o melhor tratamento e conforto para Ralphs em seus últimos meses.
Rodgers ressaltou a singularidade de Mick Ralphs como músico e compositor, destacando seu timbre inconfundível e seu legado duradouro na música. Ele enfatizou que, mesmo nos últimos dias, conseguiu arrancar uma risada de seu amigo, evidenciando o forte laço que os unia.
Can’t Get Enough: A Tribute to Bad Company está disponível nas plataformas digitais e em CD físico pela Hellion Records. O álbum conta com o seguinte repertório:
1. “Ready For Love” – HARDY
2. “Shooting Star” – Halestorm (com Paul Rodgers)
3. “Feel Like Makin’ Love” – Slash Featuring Myles Kennedy and The Conspirators
4. “Run with the Pack” – Blackberry Smoke (com Paul Rodgers & Brann Dailor)
5. “Rock ‘n’ Roll Fantasy”– The Struts
6. “Bad Company” – Charley Crockett
7. “Rock Steady” – Dirty Honey
8. “Burnin’ Sky” – Black Stone Cherry
9. “Seagull” – Joe Elliott e Phil Collen do Def Leppard (com Paul Rodgers & Simon Kirke)
10. “All Right Now” – The Pretty Reckless

