A apresentadora Rafa Brites utilizou suas redes sociais para se posicionar contra comentários que questionavam seu diagnóstico de lipedema, após ela ter compartilhado a informação publicamente. A polêmica surgiu a partir de alegações de que, por ser magra, ela não poderia ter a condição.
Brites expressou sua frustração com a reação, apontando para um preconceito social que associa problemas de saúde exclusivamente a corpos fora do padrão de magreza. “O meu vídeo sobre lipedema foi para vários portais, acho ótimo, mas o que eu vejo são várias pessoas indo lá falando que não, que eu não tenho lipedema. Porque eu sou magra. E aí você vê como a nossa sociedade é doente. Por quê? Porque assume que um corpo magro não tem problemas”, desabafou.
A apresentadora fez questão de ressaltar que seu diagnóstico foi resultado de avaliação médica especializada. “Se eu falo aqui no Instagram que fui diagnosticada com lipedema, eu não tirei da minha cabeça, eu não fui numa coach do Instagram, eu fui num vascular, um dos melhores de São Paulo”, enfatizou.
O lipedema tem ganhado visibilidade na mídia, com outras personalidades como Amanda Meirelles, Yasmin Brunet, Ana Hickmann, Juliana Paes e Flávia Pavanelli também tendo revelado o diagnóstico. A condição tem reacendido debates sobre as abordagens de tratamento, incluindo quando intervenções cirúrgicas são necessárias.
Em declarações à imprensa, a dermatologista Fabiola Bordin, autora de obras sobre saúde da pele, esclareceu que o lipedema é uma doença crônica do tecido gorduroso, distinta da celulite ou do simples acúmulo de gordura em pernas grossas. Segundo a especialista, o lipedema pode manifestar-se com inflamação, dor, sensação de peso nas pernas e equimoses (hematomas espontâneos), afetando pernas, coxas e, por vezes, braços, mas geralmente poupando os pés.
Dra. Bordin explicou que o diagnóstico do lipedema é predominantemente clínico, baseado na história do paciente e no exame físico, não necessitando de exames complementares na maioria dos casos. Ela destacou que a persistência de sintomas como dor e queimação é crucial para a confirmação, e que a condição causa desconforto real, indo além de uma questão puramente estética.
Quanto aos tratamentos, a dermatologista mencionou que o manejo envolve diagnóstico diferencial com outras condições, controle da inflamação através de procedimentos em consultório, dieta, atividade física e, em alguns casos, medicamentos. Tecnologias como a de micro-ondas e radiofrequência são citadas como opções não invasivas que podem auxiliar no tratamento da gordura localizada e flacidez, enquanto a drenagem linfática pode ser benéfica para o inchaço.
Em situações mais avançadas, a cirurgia pode ser considerada para reduzir o volume do tecido gorduroso. No entanto, a Dra. Bordin ponderou que a cirurgia raramente é a primeira opção, sendo reservada para casos em que outros tratamentos não surtem efeito ou quando há restrição significativa de movimentos. Ela reiterou que o controle do peso é importante, pois o sobrepeso pode agravar o quadro, mas não é a causa primária da doença.

