De sete jovens aspirantes com uma empresa à beira da falência em 2013, para sete homens na casa dos trinta anos, líderes de um império de entretenimento global. O BTS, que iniciou sua jornada com expectativas modestas, consolidou um legado inegável que agora é explorado em profundidade.
Após o último concerto em outubro de 2022, o grupo embarcou em um hiato necessário para o cumprimento do serviço militar obrigatório na Coreia do Sul. Este período, que se estendeu até junho de 2025 com a dispensa de todos os membros, marcou uma pausa na conexão direta com o palco e com seus fãs, o ARMY. Contudo, foi nesse interlúdio que o sonho de um retorno triunfal começou a ganhar forma.
O dia 20 de março de 2026 foi marcado pelo lançamento de ‘ARIRANG’, álbum que rapidamente dominou as paradas musicais e as redes sociais. Em apenas quatro dias, as 14 faixas acumularam mais de 300 milhões de streams no Spotify. A sonoridade de ‘ARIRANG’ reflete a evolução dos membros, agora mais maduros e com novas perspectivas, distanciando-se das preocupações de álbuns anteriores como ‘Map of the Soul: 7’ e ‘BE’.
O documentário ‘BTS: O Reencontro’ oferece um olhar íntimo sobre o complexo processo criativo por trás do álbum. A produção detalha os debates e as negociações entre os sete talentosos artistas, compositores e letristas, evidenciando a dificuldade natural em chegar a um consenso. RM, o líder do grupo, descreve o período como um momento em que “todos ficamos metidos, é difícil concordar”. Essa discordância, no entanto, é vista como um reflexo do crescimento individual dos membros durante seus projetos solo, onde exploraram suas identidades fora do BTS e descobriram suas próprias “cores”.
A habilidade do septeto em argumentar, persuadir e considerar os diferentes pontos de vista é um dos pontos altos do documentário. Um exemplo notável é a discussão em torno da faixa ‘Body to Body’, que incorpora um sample da gravação tradicional de ‘ARIRANG’. Inicialmente recebida com ceticismo por RM, que a comparou a “três músicas em uma só”, a ideia enfrentou resistência. V expressou o receio da reação do público, mas J-hope defendeu a inclusão como um ato de orgulho para um coreano, ao ver uma canção patriótica tão importante em seu álbum. A decisão final, após debates com o fundador da HYBE, Bang Si-hyuk, que ponderou sobre o alcance global da música, permaneceu com os membros, demonstrando seu controle artístico.
Atualmente, ‘Body to Body’ figura entre as faixas mais ouvidas do álbum, com mais de 32 milhões de streams no Spotify, atrás apenas do single ‘SWIM’.
Outro ponto de debate crucial abordado no documentário foi a escolha do idioma para o álbum. Os membros defenderam a inclusão de partes em coreano, especialmente nas linhas da rapline, para preservar a autenticidade. Nicole Kim, vice-presidente da BigHit Music, argumentou a favor de uma abordagem mais acessível globalmente. O compromisso encontrado envolveu letras com temas mais universais, que permitissem uma identificação mais ampla, como V salientou: “letras que falam apenas com a gente, não vão ser ouvidas por mais ninguém”. Jimin reforçou a necessidade de experimentar e inovar, ressaltando que “se é pra gente mudar e experimentar coisas novas, essa é a hora”.
A escolha de ‘SWIM’ como single principal também gerou divergências. Jimin expressou a preocupação de que os fãs pudessem esperar um retorno com músicas mais enérgicas, como ‘ON’ ou ‘Not Today’, em contraste com a sonoridade mais calma de ‘SWIM’. Jung Kook, por outro lado, demonstrou confiança na direção escolhida.
Em contrapartida à imagem pública mais enérgica, SUGA emerge no documentário como uma figura serena, especialmente durante os períodos de bloqueio criativo nos estúdios em Los Angeles. Em um momento de inatividade, Jimin brincou sobre a falta de produtividade, ao que SUGA respondeu com calma: “fomos ruins o suficiente. Mas isso já é alguma coisa. Faz parte.”.
Jin, o membro mais velho, juntou-se à pré-produção do álbum mais tarde, após sua turnê solo. Apesar de se sentir doente e exausto, ele se integrou naturalmente ao processo, adicionando sua “cor” ao projeto. Inicialmente incerto sobre seu lugar, Jin encontrou seu espaço de forma intuitiva, demonstrando sua conexão intrínseca com o grupo.
Além das intensas sessões de trabalho, o documentário revela momentos de descontração que evidenciam a forte ligação entre os membros. RM ao saxofone, sessões de cinema com material antigo, jantares regados a soju e churrasco, passeios à praia e dias na piscina. São instantes em que o BTS se dissolve para dar lugar a Kim Namjoon, Kim Seokjin, Min Yoongi, Jung Hoseok, Park Jimin, Kim Taehyung e Jeon Jungkook – sete amigos e uma família unida há mais de 15 anos.
O retorno do BTS é marcado por maturidade, experiência e autoconfiança. ‘BTS: O Reencontro’ atesta a capacidade do grupo de trabalhar em equipe, valorizando o respeito mútuo e a autonomia decisória em sua arte, carreira e música. A decisão final sempre pertence aos sete homens que hoje ostentam o título de maior grupo pop do mundo.
‘BTS: O Reencontro’ estará disponível globalmente na Netflix a partir de 27 de março.
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