Em 7 de abril, data em que se celebra o Dia Mundial da Saúde, um aspecto fundamental da infância ganha destaque: o crescimento. Longe de ser apenas uma característica genética ou estética, a estatura de uma criança é um poderoso indicador de sua saúde geral, refletindo o equilíbrio de diversos fatores vitais como nutrição, qualidade do sono, atividade física e o funcionamento harmonioso do organismo.
O endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato, autoridade em crescimento infantil em São Paulo, enfatiza que o desenvolvimento físico atua como um termômetro preciso. “O crescimento é um dos sinais mais sensíveis da saúde infantil. Muitas vezes, as primeiras manifestações de que algo não vai bem no corpo se manifestam justamente na curva de crescimento”, explica o especialista.
Segundo Dr. Liberato, o acompanhamento do desenvolvimento deve iniciar ainda durante a gestação e prosseguir ininterruptamente pela infância e adolescência. A medição regular de peso e altura, comparada a gráficos de referência, é crucial para a detecção precoce de quaisquer anomalias. “Uma desaceleração no crescimento nem sempre é uma variação normal. Pode ser o primeiro sinal de condições como hipotireoidismo, doença celíaca, desnutrição ou até mesmo alterações hormonais e genéticas”, alerta. Ele reforça a necessidade de avaliação em todos os casos: “Nem toda criança com crescimento abaixo do esperado necessita de tratamento, mas toda criança merece ser avaliada”.
É importante notar que o crescimento infantil não segue uma linha reta, apresentando variações típicas em cada fase. No primeiro ano de vida, um bebê pode crescer cerca de 25 centímetros, seguido por aproximadamente 12 centímetros no segundo ano. Dos três anos até o início da puberdade, a média anual de crescimento situa-se entre cinco e sete centímetros. A puberdade, por sua vez, é marcada pelo “estirão”. “Fora dessas fases de crescimento acelerado, se a criança cresce menos de quatro a cinco centímetros por ano, é fundamental investigar, pois pode haver uma questão de saúde subjacente”, orienta Dr. Miguel.
Pais e cuidadores podem observar sinais de alerta no dia a dia, como a demora para a necessidade de trocar o tamanho das roupas, uma diferença notável de altura em relação aos colegas de idade ou um crescimento inferior ao esperado para a estatura familiar. “Esses sinais não indicam necessariamente uma doença, mas sinalizam a necessidade de uma avaliação médica especializada”, ressalta.
Embora o hormônio do crescimento seja amplamente conhecido, o especialista esclarece que ele é apenas uma peça de um sistema muito mais complexo. “O crescimento adequado resulta da interação de múltiplos fatores: uma dieta balanceada, sono reparador – com ênfase em dormir cedo –, prática regular de atividades físicas e o equilíbrio hormonal. É o reflexo de um organismo que funciona em plena harmonia”, afirma.
A identificação precoce de alterações no crescimento não só aumenta as chances de a criança atingir seu potencial máximo de estatura, mas também permite o diagnóstico e tratamento antecipado de diversas condições de saúde. “O monitoramento do crescimento infantil não é um detalhe secundário; é uma ferramenta essencial para o cuidado e a prevenção em saúde”, conclui.
